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A discussão sobre jornada de trabalho tomou o centro da agenda em 2024. A proposta de extinguir a escala 6×1 voltou o debate sobre o limite entre vida pessoal e produtividade. O tema, antes restrito à negociação trabalhista, virou assunto político e de saúde mental.
Nas escolas, professores apontam que a redação do Enem 2025 pode explorar o tema. A avaliação é que o exame cobre legislação, efeitos das longas jornadas na saúde e responsabilidade do Estado na regulação do trabalho.
A pauta da jornada se insere em um eixo mais amplo que cruza trabalho, economia e soberania. A transformação digital altera profissões e exige requalificação. O envelhecimento da população pressiona a previdência. E a disputa entre governos e plataformas digitais testa até onde vai a autonomia do Estado.
Por que o eixo é importante
A pauta por jornadas menores e mudanças na legislação trabalhista se manteve em alta ao longo do ano. A tensão entre empregados com carteira assinada e trabalhadores pejotizados ou vinculados a aplicativos expôs um impasse: menor custo para empresas de um lado, menos proteção social para quem trabalha do outro.
Além disso, a disputa por autonomia digital e política coloca o país diante de plataformas globais que desafiam leis nacionais e pressionam o Estado a rever regras trabalhistas.
“A popularização da IA gerou debates sobre desemprego, qualificação e ética no uso”, diz André Barbosa, do Oficina do Estudante. Para Rafael Galvão, da rede Alfa CEM, o assunto representa “uma nova revolução industrial”. Ele afirma que o Enem pode cobrar do candidato quem deve financiar a requalificação —Estado, empresas ou escola.
A discussão, porém, não se limita à tecnologia. A eventual mudança na escala 6×1 abre espaço para tratar de saúde mental, produtividade e direitos trabalhistas. Professores orientam os estudantes a usar dados e legislação para sustentar argumentos.
O envelhecimento do país também pesa. “O Brasil está envelhecendo muito rapidamente”, afirma Sidneya Azevedo, do Bernoulli. Para Maria Aparecida Custódio, do Objetivo, a queda da natalidade já reduz a base de contribuintes. “O trabalho informal cresceu e continua crescendo. A Previdência não se sustenta só com a contribuição da população economicamente ativa”, diz. Ela aponta outro problema, como a barreira para contratar pessoas acima dos 50 anos. “Prefere-se contratar jovens e pagar menos.”
A disputa por soberania completa o eixo. Galvão vê espaço para o Enem abordar o conflito entre decisões do Judiciário brasileiro e regras de empresas de IA. A pergunta é direta: quem comanda o espaço digital dentro do país?
Como o tema pode aparecer na redação
O Enem costuma escolher questões atuais que envolvem conflito, desigualdade e responsabilidade do Estado. O eixo trabalho–economia–soberania reúne todos esses elementos: afeta a vida cotidiana, tem impacto financeiro e exige políticas públicas.
Abaixo, possíveis abordagens indicadas por professores:
| Tema sugerido | Quem disse |
| Jornada de trabalho no Brasil: entre produtividade e qualidade de vida | Anglo |
| O impacto da inteligência artificial nas relações de trabalho no Brasil | Oficina do Estudante |
| Os desafios para a reafirmação da soberania brasileira no século 21 | Alpha CEM |
| Etarismo e o preconceito contra idosos no mercado de trabalho | Objetivo |
| Desafios relacionados ao INSS e aposentadoria dos idosos | Bernoulli |
Como estudar o tema
Professores recomendam acompanhar notícias e dados oficiais. Para IA e trabalho, a indicação é pesquisar setores mais impactados pela automação e usar estudos do IBGE e Ipea. No recorte de idosos, vale consultar o Estatuto do Idoso e projeções demográficas do IBGE. Em soberania, ajuda conhecer a Constituição de 1988 e o debate sobre regulação digital.
Conceitos-chave
- Inteligência artificial e nova revolução industrial — automação substitui funções repetitivas e muda profissões.
- Precarização do trabalho e requalificação profissional — vínculos mais curtos e exigência de novas habilidades.
- Transição demográfica e população economicamente ativa — menos jovens no mercado e pressão sobre a previdência.
- Etarismo e letramento digital — discriminação contra pessoas mais velhas e barreiras de acesso à tecnologia.
- Soberania nacional, econômica e digital — disputa entre decisões do Estado e regras de empresas estrangeiras.
Dicas de reportagens e artigos da Folha para estudar
Leituras e referências culturais sugeridas
- “Tempos Modernos” (Charlie Chaplin) — crítica à alienação no trabalho; funciona como repertório sobre jornada, máquina e produtividade.
- “O direito à Preguiça” (Paul Lafargue) — crítico à ideia de que a produtividade exige jornadas longas.
- Yuval Noah Harari: O Enem pode dialogar com a classificação da ascensão da IA feita pelo historiador e outros pensadores, que a veem como uma nova revolução
- IBGE: É crucial ler sobre as questões que o IBGE traz acerca do envelhecimento do Brasil
- Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003): Conhecer os direitos da população
- Constituição de 1988 (“Constituição Cidadã”): É o embasamento teórico para o eixo de Cidadania e Soberania.
O que evitar
O erro mais comum é sugerir novas leis ou “soluções genéricas” sem reconhecer que já existe legislação em vigor. No tema do envelhecimento, por exemplo, muitos candidatos ignoram o Estatuto do Idoso ou políticas públicas já previstas e escrevem como se o país não tivesse nenhuma estrutura legal.
Outro problema é basear o texto apenas em opinião, sem dados ou fontes confiáveis. A redação perde força quando o aluno afirma que “a tecnologia vai tirar empregos” ou que “a jornada longa faz mal”, mas não apresenta estudos, pesquisas ou exemplos concretos. É preciso articular informação, legislação e argumentos —o Enem avalia repertório, não achismo.
Este é o quinto de uma série de textos que abordam as principais apostas para o tema da redação do Enem 2025. Elas foram reunidas em oito eixos temáticos, serão detalhados com dicas de educadores sobre o motivo da escolha, como se preparar, possíveis abordagens e erros a evitar durante o estudo e a realização da redação.
Os textos fazem parte do projeto Folha Estudantes, criado para ajudar jovens na preparação para o Enem e outros vestibulares. A Folha oferece assinatura gratuita para estudantes que se inscreverem no Enem; clique aqui para saber mais.
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Fonte: Folha
