Universidade: como encarar a mudança de casa ou cidade? – 19/08/2025 – Educação

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Para muitos estudantes, o fim do ensino médio costuma representar mais do que uma etapa concluída, é o início de uma fase que muitos associam a tão sonhada liberdade. Para alguns jovens, essa transição ganha momentos ainda mais marcantes ao incluir a mudança de cidade, a despedida da casa dos pais e o desafio de construir seguir a nova vida universitária longe de casa.

Natural de Porto Velho (RO), Gabriel Lopes, 22, traçou um caminho que o levou primeiro ao Sul do país, na gaúcha Pelotas, onde iniciou a graduação em engenharia da computação na UFPel (Universidade Federal de Pelotas). Hoje, ele segue no mesmo curso, mas na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A mudança não foi simples. O estudante saiu direto do ensino médio para a faculdade em outro estado, algo completamente novo para ele. Entre aprender a ter uma nova rotina e lidar com a saudade da família, veio também a insegurança sobre dar conta do novo ritmo acadêmico. “Eu estava com muito medo de não dar certo, de eu não conseguir render nos estudos. Tive bastante medo de não dar conta da universidade.”

Apesar do apoio da família, a chegada ao novo estado trouxe um choque, não só acadêmico, mas também cultural. “Achei que lá no Rio Grande do Sul o pessoal era um pouco mais fechado, mais reservado.”

A experiência de Gabriel reflete um processo universal, mas que ganha traços culturais únicos no Brasil. Como explica Ewerton Camarano, CEO da rede de moradia estudantil Uliving, o rompimento com a família é mais gradual aqui do que em outros países, onde a independência desde cedo é um padrão.

No Brasil, a transição é mais difícil e, por vezes, mais desafiadora, porque exige do jovem uma quebra mais abrupta com a dependência. Para muitos jovens, isso significa encarar um novo cotidiano sem qualquer preparação prática ou emocional.

A independência chega acompanhada de responsabilidades inéditas, como organizar a rotina, lidar com finanças e, principalmente, tomar decisões sozinhas. Todos esses desafios inspiraram Júlia Gotti, 28, a compartilhar conselhos e experiências sobre como encarar a vida adulta —e sobreviver a ela. Hoje ela tem 780 mil seguidores no TikTok.

A jornada de Gotti começou quando ela decidiu sair da casa dos avós para morar sozinha há três anos. Foi então que vieram as surpresas. A publicitária se deparou com um universo de dúvidas que a levaram a pesquisar minuciosamente sobre itens básicos como uma lixeira e complexos quanto a densidade de um sofá.

“Tem coisas que ninguém ensina. Por exemplo, que a densidade de um sofá tem que ser acima de D26, senão ele vai afundar rápido, sabe? Aí eu percebi que essas informações poderiam ter valor para outras pessoas também e então eu comecei a compartilhar nas redes sociais”, explica Gotti.

Essa necessidade de pesquisa e de “se virar” não é apenas uma curiosidade, mas é a exemplificação da proatividade. Lilian Cidreira, professora especialista em carreiras da ESPM, afirma que essa é uma das habilidades mais valorizadas também no mercado de trabalho.

“O estudante ganha essa maturidade, mas não é só isso. Às vezes, ele até tem maturidade, mas não tem proatividade. Por exemplo, ele mora na casa dos pais, e os pais sempre dizem o que tem que fazer, então também ele é moldado a chegar em uma empresa e esperar que digam para fazer”, exemplifica Cidreira.

A transição para a vida adulta longe de casa, com todos os seus desafios, é um caminho para a maturidade. A professora da ESPM explica que o processo de ruptura e adaptação leva ao desenvolvimento da antifragilidade.

Diferente da resiliência, que é a capacidade de resistir a pressões, a antifragilidade é a habilidade de, ao enfrentar adversidades, aprender com elas e se fortalecer.

“Se essa pessoa usa todo esse movimento para desenvolver essa habilidade sob a ótica da antifragilidade, ela naturalmente vai conseguir passar por essas situações sempre refletindo e construindo um degrau a mais ali nessas habilidades emocionais”, afirma Cidreira.

Para Júlia Gotti, um dos aprendizados desse momento de transição foi o autoconhecimento. A experiência de morar sozinha revelou uma capacidade de superação, que se traduziu na realização de conquistas como ter a própria casa.

“É muito importante não deixar passar batido esses momentos e celebrá-las como a gente deve. Eu descobri muita coisa sobre mim mesma durante esse período, mas eu diria que a principal foi que eu sou capaz de enfrentar o que vier”, afirma Gotti.

Ao se mudar para o Rio de Janeiro neste ano após a dificuldade de adaptação no curso no Rio Grande do Sul, o rondoniense Gabriel já tinha alguma bagagem emocional e prática para lidar com uma nova mudança. “Foi melhor do que eu esperava, sinceramente. Já fiz amizade bem rápido por aqui.”

Na capital fluminense, o estudante escolheu morar em uma residência estudantil, buscando repetir a boa experiência que teve no Rio Grande do Sul. “Eu morei numa residência universitária e gostei bastante, aí procurei algo parecido. Aqui fazemos amigos, tem tudo perto, e isso ajuda muito”, afirma.

Ewerton Camarano, CEO da Uliving, afirma que a maior dificuldade enfrentada pelos jovens nessa transição nem sempre é a adaptação prática, mas o lado emocional. “A mudança pode ser muito empolgante e assustadora ao mesmo tempo, e muitas vezes esses sentimentos estão misturados.”

Por isso, criar vínculos pode ser determinante para uma adaptação mais. Além disso, Camarano explica que participar de atividades extracurriculares também é uma estratégia eficaz e colabora para combater a solidão e construir um novo círculo social.

“Se envolver com atividades para além da grade curricular, é uma forma muito bacana para quem tem mais dificuldade de fazer amizade por si só e sair um pouco do virtual”, afirma Camarano.

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Fonte: Folha

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