Unicamp 2026: texto da Folha é base da redação – 02/12/2025 – Educação

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A segunda fase do Vestibular Unicamp 2026, aplicada no domingo (30) e na segunda (1º), trouxe uma reportagem da Folha como texto base de uma das propostas de redação. A cobrança, de acordo com a instituição, reforça a política da universidade de usar jornalismo profissional como referência para discutir temas sociais atuais.

A proposta 1, apresentada no primeiro dia, pediu que o candidato escrevesse um depoimento como se fosse um jovem repórter infiltrado na “machosfera”, conjunto de comunidades virtuais que propagam misoginia e incitação à violência contra mulheres. O principal texto de apoio era a reportagem “Radicalização de jovens no ambiente virtual, como em ‘Adolescência’, aponta cenário desafiador”, publicada pela Folha em março de 2025 e assinada por Fernanda Mena.

O texto analisava a influência de subculturas como redpill e incel sobre adolescentes, tomando como gancho a minissérie “Adolescência”, da Netflix, vista por 160 milhões de horas em 13 dias. Na trama, Jamie Miller, 13, se envolve em um homicídio após consumir conteúdos misóginos sem que os pais percebam.

Usada como referência na prova, a reportagem reunia análises do delegado Flávio Rolim, da Polícia Federal, que detalha etapas da radicalização —da superfície da internet à dark web, com grupos como o “clube dos feminicidas”—, e da juíza Vanessa Cavalieri, que relata o aumento de feminicídios cometidos por adolescentes influenciados por esses ambientes.

O texto também trazia alertas de psiquiatras sobre dessensibilização emocional em cérebros imaturos e análises de psicanalistas sobre o “abandono digital” e o vácuo da masculinidade contemporânea.

A coletânea ainda incluía um resumo de ataques reais cometidos por incels —como Elliot Rodger (2014), Alek Minassian (2018) e Jake Davison (2021)—, um levantamento de leis brasileiras de combate à violência online, entre elas a Lei Maria da Penha digital, a Lei Lola Aronovich (2018), a Lei do Sinal Vermelho (2021) e a Lei dos Deepfakes (2025), além de um trecho do psicanalista Christian Dunker sobre o sofrimento masculino que alimenta essas ideologias.

José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, comissão quje organiza o vestibular, afirmou que a prova mantém a tradição de tratar dilemas contemporâneos com base em fontes confiáveis. Segundo ele, recorrer ao jornalismo profissional estimula leitura crítica e afasta candidatos de fake news e bolhas digitais.

A proposta 2 pediu uma nota de esclarecimento sobre a importância histórica da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), tema presente no debate público em meio à precarização e ao uso pejorativo de “ser CLT” nas redes sociais.

A segunda fase da Unicamp terminou nesta segunda-feira (1º). Aplicada em 23 cidades, o vestibular contou com 12.018 candidatos no primeiro dia e 11.880 no segundo.

As provas já estão disponíveis na página do Vestibular 2026 no site da Comvest. As respostas esperadas serão divulgadas em 8 de dezembro. Para ingresso em 2026, a universidade oferece 2.530 vagas em 69 cursos de graduação.

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Fonte: Folha

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