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A Fuvest apresentou neste domingo (14) aos candidatos o tema “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado?” na redação do vestibular. A proposta fez parte do primeiro dia da segunda fase do exame, que também teve dez questões discursivas de língua portuguesa, literatura e gramática.
Nesta edição, além da redação dissertativo-argumentativa, os candidatos puderam optar pela produção de um texto do gênero carta, definido no momento da prova. A escolha entre dois gêneros estreou neste vestibular e faz parte do novo modelo de redação adotado pela Fuvest.
Na proposta alternativa, o candidato deveria escrever uma carta dirigida a uma pessoa fictícia que o havia acusado injustamente de um comportamento moralmente condenável, expondo os motivos para conceder ou negar o perdão.
A coletânea de apoio reuniu textos literários, jornalísticos e artísticos —entre eles uma coluna publicada na Folha— que abordam o tema sob diferentes perspectivas, incluindo trechos de obras de ficção, poesia, música, uma imagem jornalística e um texto de análise, usados como base para reflexão.
Os textos de apoio à redação foram:
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“Súplica de oficial nazista provoca reflexão sobre limites do perdão”, de Juliana de Albuquerque, publicada na Folha;
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“Tudo é Rio”, de Carla Madeira;
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o poema Mar Novo, de Sophia de Mello Breyner Andresen;
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a fotografia “Cessar-fogo em Gaza permite o regresso à casa”, de Abdel Kareem Hana/AP;
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a música “Tá Perdoado”, de Arlindo Cruz;
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um trecho do livro Iaiá Garcia, de Machado de Assis.
Para a analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, Amanda Rodrigues, o tema mantém afinidade com o perfil da Fuvest ao propor uma reflexão aberta, sem resposta única ou solução prática imediata. Segundo ela, a discussão permite tanto a defesa do perdão condicionado quanto do perdão sem limites, além da análise das consequências do ato de perdoar —ou de não perdoar— nas relações individuais e sociais.
Rodrigues acredita que, por se tratar de um tema abstrato, o desafio do candidato foi relacionar o conceito de perdão a situações concretas, como conflitos familiares, injustiças sociais, violência, cancelamentos nas redes sociais, disputas internacionais e até a Lei da Anistia no Brasil. Ela também aponta semelhança com o tema do simulado aplicado pela Fuvest neste ano, que abordou relações interpessoais e comunicação
O professor de redação do Curso Anglo, Sérgio Paganim, acredita que a frase-tema marcou uma mudança em relação aos últimos anos, quando a prova costumava trazer temas mais concretos e sociais, próximos ao cotidiano dos candidatos
Em relação a proposta alternativa, para Paganim, apesar do tom mais narrativo, a carta também exigia uma dimensão fortemente argumentativa, já que o candidato precisava justificar a decisão.
No primeiro dia, a redação conta 50 pontos e as dez questões de língua portuguesa, literatura e gramática valem, juntas, 50 pontos.
Ao todo, 30.787 candidatos se classificaram para a segunda fase. Os exames são aplciados em 680 salas distribuídas por 36 escolas de 22 cidades da capital, da região metropolitana, do interior e do litoral paulista.
Os portões foram abertos ao meio-dia e fechados às 13h, horário em que começa a prova. O tempo máximo para resolução é de quatro horas em cada dia.
Veja temas das últimas edições
| Ano | Tema |
|---|---|
| 2026 | O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado? |
| 2025 | As relações sociais por meio da solidariedade |
| 2024 | Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão |
| 2023 | Refugiados ambientais e vulnerabilidade social |
| 2022 | As diferentes faces do riso |
| 2021 | O mundo contemporâneo está fora de ordem? |
| 2020 | O papel da ciência no mundo contemporâneo |
| 2019 | A importância do passado para a compreensão do presente |
| 2018 | Devem existir limites para a arte? |
| 2017 | O homem saiu de sua menoridade? |
| 2016 | As utopias: indispensáveis, inúteis ou nocivas? |
| 2015 | “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia |
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Fonte: Folha
