Escolas privadas diversificam critérios para bolsas em SP – 07/09/2025 – Educação

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Quando aprendeu a jogar xadrez, aos 12 anos, Rafaela Alves não imaginava que o hobby poderia lhe abrir portas para o futuro. Três anos depois, ela venceu um torneio em São Paulo e foi convidada a integrar a equipe do Augusto Laranja, colégio da zona sul da cidade, onde recebeu uma bolsa de estudos integral.

Hoje, aos 18 anos, Rafaela cursa o terceiro ano do ensino médio e diz que o esporte também a ajuda a se preparar para o curso de engenharia, que pretende seguir. “Ajuda tanto porque você cria mais foco quanto pelo raciocínio lógico e as tomadas de decisão que você desenvolve.”

Atualmente 6% dos alunos da escola são bolsistas por se destacarem no xadrez ou no basquete. Os descontos cobrem 25%, 50% ou até 100% da mensalidade. Os candidatos são escolhidos pela equipe técnica que avalia os estudantes com base no desempenho escolar e esportivo.

Bolsas de estudo podem ser portas de entrada para colégios particulares de excelência em São Paulo. A condição socioeconômica e o mérito acadêmico costumam ser critérios usados pelas instituições, mas desempenho esportivo e cotas raciais também são considerados.

Pais e responsáveis devem ficar atentos ao projeto das escolas para integração dos bolsistas. Manter esses estudantes na mesma turma dos alunos pagantes e fornecer auxílio para despesas como material e uniforme escolar, por exemplo, são pontos importantes para evitar a segregação, segundo especialistas.

O Colégio Santa Cruz criou em 2022 o programa Santa Plural, que destina bolsas para alunos negros e indígenas. Os benefícios, que podem ser parciais ou integrais, têm início na educação infantil e duram até o ensino médio.

A escola, da zona oeste, também tem uma política de cotas raciais nos demais anos letivos, na qual prioriza a entrada de alunos negros pagantes em caso de lista de espera, como costuma ocorrer.

Dandara Freitas, 5, é uma das bolsistas contempladas pela terceira edição do programa. A mãe, Carolina Freitas, que é professora, diz que se identificou com a proposta de educação antirracista do colégio.

“Ainda é uma escola majoritariamente branca, mas existe um caminho bastante potente sendo construído.”

Outras escolas utilizam o mérito acadêmico para destinar bolsas de estudo. No colégio Vital Brazil, na zona sul, os estudantes do nono ano podem fazer uma prova que dá direito a um desconto de 40% da mensalidade durante o ensino médio.

Podem concorrer aqueles que já estudam e aqueles que desejam ingressar na instituição no ano seguinte. Os alunos bolsistas assistem às aulas em uma turma exclusiva e precisam manter a média 8 da nota para renovar a bolsa a cada ano.

O mesmo processo é usado pelo Colégio Etapa, que tem duas unidades na zona sul da capital e uma em Valinhos (a 93 km de São Paulo). Uma prova é realizada antes do ingresso no sexto ano do ensino fundamental ou no primeiro ano do ensino médio e as bolsas podem cobrir até 100% da mensalidade. Neste caso, os bolsistas frequentam a mesma sala dos alunos pagantes.

No Colégio Mackenzie, no centro, os descontos variam entre 5% a 100%, a depender da situação financeira da família. De acordo com a instituição, 55% dos alunos são bolsistas.

Há ainda organizações responsáveis pelo processo para alunos de baixa renda ou de escola pública acessarem colégios particulares, como o Instituto Ismart e o Instituto Sol.

O primeiro oferece bolsas de estudos para alunos com renda per capita de até dois salários mínimos, matriculados no sétimo ou no nono ano do ensino fundamental e que residam em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte.

Fazem parte do programa os colégios paulistas Bandeirantes, Magno, Marista Glória, Stockler, Objetivo, Rio Branco, Sidarta, Poliedro, e as escolas Granja Viana, Escola Internacional de Alphaville, Lourenço Castanho, Móbile e Beacon School.

Já o Instituto Sol tem um programa de preparação para estudantes de escolas públicas prestarem as provas que dão direito à bolsa no ensino médio nos colégios Bandeirantes e Santa Cruz. Neste caso, o abatimento integral da mensalidade é feito pelas escolas.

Yonathan del Valle, 17, fez o curso preparatório e hoje é estudante do terceiro ano do ensino médio com bolsa integral no colégio Bandeirantes. No início, ele sentiu a diferença do ensino público para o da rede particular. “Inglês, por exemplo, eu não tinha uma base na escola pública, então tive que correr atrás.”

Ambos os institutos acompanham os alunos ao longo do ensino médio, com apoio psicológico e ajuda de custo para alimentação, transporte, material e uniforme escolar. O Instituto Sol também oferece aulas de inglês em parceria com cursos como Cultura Inglesa e CNA.

Pedro Barboza, coordenador pedagógico da Escola Oga Mitá, do Rio, e doutor em sociologia pela Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), considera que esse tipo de apoio auxilia na integração dos alunos bolsistas.

“O desconto na mensalidade não é sinônimo de inclusão. Há uma série de signos que informam ao estudante bolsista que ele está num espaço diferente.”

Em abril de 2024, entidades entraram com um processo contra o Colégio Visconde de Porto Seguro por segregar alunos bolsistas. Segundo a denúncia, eles têm aulas em uma unidade distinta dos alunos pagantes.

A ação, que aguarda julgamento, pede indenização de R$ 15 milhões por danos morais coletivos e sociais, além da adoção de medidas de promoção da equidade racial e social.

Em nota, a escola informou que o campus Vila Andrade, onde estudam os bolsistas, foi inaugurado a fim de ampliar a oferta de bolsas de estudo e diante da limitação de espaço físico nas unidades existentes.

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Fonte: Folha

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