EJA integrada a curso técnico fica abaixo da meta – 22/01/2026 – Educação

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Vista como forma de promover a inclusão social e produtiva de quem não pôde estudar na idade adequada, a articulação entre a EJA (Educação de Jovens e Adultos) e a qualificação profissional ainda avança lentamente no país. Nessa modalidade, o aluno conclui o ensino fundamental ou médio enquanto realiza um curso técnico, integrando a formação básica ao desenvolvimento de habilidades de uma profissão.

Em 2024, 6% das matrículas da EJA estavam vinculadas à EPT (Educação Profissional e Tecnológica), índice abaixo dos 25% previstos no PNE (Plano Nacional de Educação). São 140.042 matrículas integradas em um universo de 2,39 milhões, segundo dados do Painel de Monitoramento do PNE, do Inep. Para cumprir o objetivo, seriam necessárias quase 600 mil.

Criada em 2005 com o Proeja, primeiro programa nacional para aliar EJA ao ensino profissional, a modalidade mantém crescimento tímido. De 2013 a 2024, avançou 3,1%, e nenhuma região se aproxima da meta: Nordeste (9,6%), Centro-Oeste (4,6%), Sul (3,2%), Norte (1,7%) e Sudeste (1,2%).

Somente dois estados alcançaram o patamar previsto: Piauí (29,3%) e Alagoas (41%).

Ambos têm apostado no avanço da meta como estratégia para enfrentar os maiores índices de analfabetismo do país. Em 2024, Alagoas registrou a maior proporção de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever (14,3%), seguido pelo Piauí (13,8%), Paraíba (12,8%) e Ceará (11,7%), segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

O Piauí atribui o avanço do formato à modernização da infraestrutura, com novos laboratórios e maior conectividade, e à oferta de cursos voltados às demandas locais. O estado passou de 3,3% de EJA integrada ao ensino profissional em 2021 para 29,3% em 2024. “Buscamos oferecer cursos em que o estudante possa se aprimorar na área em que já atua ou em setores de expansão, como tecnologia, energias renováveis, agricultura familiar e serviços”, afirma o secretário de educação, Washington Bandeira.

Em Alagoas, que saltou de 11,1% para 41% no mesmo período, o foco foi a criação de metodologias específicas para o público adulto, que partem das experiências dos estudantes, adaptam o ritmo das aulas e incluem atividades ligadas ao cotidiano e ao trabalho, afirma a secretária da Educação, Roseane Vasconcelos. “Garantimos que cada estudante retorne à escola com dignidade e saia com dupla qualificação para o mundo do trabalho.”

O desafio se torna maior diante da retração da própria EJA. Desde 2019, as matrículas caíram de 3,2 milhões para 2,3 milhões, segundo o Censo Escolar 2024.

A redução no atendimento, mesmo diante de mais de 9,3 milhões de pessoas de 15 anos ou mais em situação de analfabetismo no país, evidencia a necessidade de repensar os rumos da modalidade, na avaliação de Maria Margarida Machado, professora da UFG (Universidade Federal de Goiás) e especialista em políticas públicas, com experiência em pesquisas sobre educação e trabalho voltadas a jovens e adultos.

Nesse cenário, a união das duas modalidades ganha força como um caminho para reverter os números, com potencial de atrair mais estudantes e ampliar as oportunidades de futuro. “É uma forma de ressignificar a retomada para aqueles que foram historicamente excluídos dos espaços de educação formal”, diz.

Mas, na avaliação da professora, essa integração só será efetiva se reconhecer a realidade dos alunos da EJA, em geral trabalhadores que enfrentam dificuldade de ir às aulas com regularidade devido às responsabilidades profissionais e domésticas. “A Educação de Jovens e Adultos, quando voltada à classe trabalhadora, precisa de uma atuação intersetorial. O acesso deve vir acompanhado de alimentação, transporte e até bolsa permanência”, acrescenta.

Para ela, além de ampliar o foco na retenção dos estudantes, é essencial aumentar a participação das redes estaduais e municipais na oferta da modalidade —já que hoje 74,8% das matrículas da EJA-EPT estão concentradas na rede federal urbana, distante da realidade de grande parte do público trabalhador.

A Folha questionou as secretarias de Educação dos 26 estados e do Distrito Federal sobre os principais desafios para ampliar a integração entre a Educação de Jovens e Adultos e a Educação Profissional Tecnológica. A maior parte dos estados citou baixa adesão do público adulto pela dificuldade de conciliar estudo e trabalho, falta de professores técnicos, infraestrutura limitada e complexidade da integração curricular.

Acre e Mato Grosso destacaram ainda obstáculos logísticos, decorrentes da grande extensão territorial e da presença de escolas em áreas rurais e de floresta, além da dificuldade de atrair profissionais qualificados. Mato Grosso do Sul mencionou a necessidade de envolver a rede privada na disponibilização de vagas integradas.

Apesar das dificuldades, as redes afirmaram trabalhar para ampliar a oferta integrada e garantir formação de qualidade aos estudantes. As secretarias do Acre, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe relataram avanços no último semestre, que deverão ser registrados no Censo Escolar da Educação Básica 2025.

Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Paraíba, Rio de Janeiro e Santa Catarina não responderam à reportagem.


Esta reportagem é resultado do laboratório de jornalismo de dados de educação e cultura, promovido pela Folha e pela Fundação Itaú em outubro de 2025.

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Fonte: Folha

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