Tema da redação da Unesp é epidemia da solidão – 08/12/2025 – Educação

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A Unesp (Universidade Estadual Paulista) aplicou nesta segunda-feira (8) o segundo dia da segunda fase do vestibular 2026, com 12 questões discursivas de linguagens e uma redação dissertativa-argumentativa. O tema —apresentado em forma de pergunta— foi “estamos vivendo uma epidemia de solidão?”.

Para professores consultados pela reportagem, a proposta manteve o perfil recente da banca, combinando tema social, diversidade textual e margem para linhas argumentativas distintas.

Segundo Paula Nogueira, docente de língua portuguesa e redação do Objetivo, a coletânea reuniu um histórico do conceito de solidão, poema de Carlos Drummond de Andrade, tirinha, artigo de opinião e dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o aumento global do sentimento de isolamento.

Ela afirma que o candidato podia defender a existência de uma epidemia, associando-a ao individualismo e ao uso de redes sociais, ou negar, tratando a solidão como escolha, autocuidado e espaço de reflexão. Possibilidades de recortes por desigualdade social, gênero e violência simbólica também foram contempladas, segundo a professora.

A redação vale 28 pontos e segue critérios tradicionais da Vunesp, como clareza da tese, consistência argumentativa, estrutura lógica e domínio da norma-padrão. Fugir do tema, copiar trechos da coletânea, usar modelos prontos ou inserir marcas de identificação leva à anulação do texto.

Para Victor Santos, professor de redação do colégio Oficina do Estudante, a pergunta em primeira pessoa do plural amplia a perspectiva coletiva do fenômeno. “A coletânea mostra que solidão não é apenas sensação; existem dados que comprovam impacto social. O candidato precisava compreender essa complexidade”, diz.

Além da redação, os candidatos responderam a questões de português, literatura e inglês. Professores consideram que a prova apresentou nível equilibrado, com forte predominância interpretativa e cobranças pontuais de repertório técnico.

Vera Ramalho, professora de literatura do Oficina do Estudante, afirma que a prova foi ancorada em interpretação de textos, figuras de linguagem e funções gramaticais, com baixa complexidade para quem domina a terminologia. O exame incluiu poema de Casimiro de Abreu e questões de rima rica. “Um aluno que estudou cronologia literária e gramática vai muito bem. Não foi uma prova difícil”, afirma.

Nogueira diz que o exame exigiu leitura atenta de gêneros variados —crônica, poema, prefácio de obra indígena e tirinha— além de conteúdos gramaticais como discurso direto e indireto, ordem dos termos e conectores. Para Kauan Schiavon, professor de gramática do Oficina do Estudante, a prova repetiu padrões da banca e manteve o foco na interpretação.

Ele avalia que a predominância segue estável: interpretação acima de gramática, que por sua vez supera literatura em volume de cobrança.

A prova de inglês também chamou atenção. Carlos Alexandre Torres, professor de inglês do Oficina do Estudante, descreve o conjunto de textos e imagens como “bem articulado”, abordando temas como produção agrícola, clima, arte e cultura. Para ele, o nível de dificuldade foi moderado e centrado na interpretação cuidadosa.

As questões mais complexas, afirma, foram a 35 e a 36, ambas sobre Frida Kahlo. A primeira exigia identificação de informações sutis sobre a construção do ícone cultural; a segunda pedia atenção aos itens do acervo.

Já Wellington Pimentel, professor do Objetivo, reforça que o exame seguiu a tradição de textos curtos e perguntas diretas, com indicação do parágrafo de onde a resposta deve ser retirada. “O objetivo é verificar capacidade de leitura e síntese, não gramática isolada”, diz.

No domingo (7), primeiro dia da segunda fase, a Unesp aplicou 24 questões discursivas de ciências humanas, da natureza e matemática. Candidatos relataram dificuldade acima do esperado, mas professores consideraram o exame equilibrado e dentro do padrão da universidade, com temas clássicos como Revolução Industrial, moral kantiana, ecologia e geometria espacial.

A Unesp oferece 5.867 vagas em 24 cidades. A segunda fase convoca até sete vezes o total de vagas por curso e inclui até 3.000 treineiros com melhor desempenho. As questões discursivas dos dois dias somam 72 pontos, que determinam a classificação final.

O resultado final será publicado em 30 de janeiro.

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Fonte: Folha

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