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O agravamento da crise climática e a realização em Belém da COP30, conferência da ONU sobre o clima, colocam o meio ambiente entre os temas mais cotados para a redação do Enem este ano.
Professores ouvidos pela Folha afirmam que a pauta ambiental aparece como uma das apostas mais consistentes para o exame, tanto pelo impacto direto no Brasil quanto pelo simbolismo de o país sediar o evento em plena Amazônia Legal.
O tema não seria inédito no Enem. Em 2001, a redação abordou “Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar interesses em conflito”. Sete anos depois, em 2008, o tema foi “Como preservar a floresta amazônica”.
Além disso, questões sobre sustentabilidade e impactos ambientais aparecem com frequência em diferentes áreas do exame. Para Maria Aparecida Custódio, professora de redação no Objetivo, a recorrência não é coincidência. “Se olharmos os últimos 27 anos, o Enem tem dado destaque constante a temas ambientais. É uma tendência que deve se manter”, diz.
A seguir, veja dicas e informações para escrever bem sobre a temática.
Por que o eixo é importante
Duas décadas após as primeiras discussões sobre o tema na redação, a urgência climática e os impactos sociais da degradação ambiental voltam ao centro da agenda pública.
Segundo Sousa Nunes, professor do Colégio Farias Brito, o Enem costuma refletir o momento vivido pelo país e desafiar o estudante a pensar criticamente o Brasil. “A redação funciona como um termômetro social: revela os dilemas mais urgentes e exige que o candidato proponha soluções responsáveis”, afirma.
A COP30 é vista como um marco simbólico, por ser a primeira conferência da ONU sobre clima sediada no Brasil —e, especialmente, na Amazônia. O encontro deve discutir metas globais de redução de emissões, preservação de florestas e justiça climática.
De acordo com Luiz Fernando Queiroz Melques, coordenador técnico educacional do Sesi-SP, o evento recolocou o debate ambiental e reacendeu a atenção da população para as dificuldades no cumprimento das agendas internacionais.
O cenário nacional reforça a pertinência do tema. O Brasil vive um dos momentos mais críticos em décadas. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), 2024 registrou o pior período de queimadas na Amazônia desde 2010, com 278,2 mil focos de incêndio identificados.
Para Sidinéia Azevedo, professora de português e redação do Colégio Bernoulli, os números mostram que a pauta ambiental deixou de ser apenas ecológica e passou a ter dimensões sociais, econômicas e éticas. “As maiores vítimas da degradação são as populações em situação de vulnerabilidade. Discutir o tema é discutir também desigualdade e responsabilidade coletiva”, afirma.
Como o tema pode aparecer na redação
O Enem costuma privilegiar temas ligados à cidadania e aos direitos humanos. Caso o eixo ambiental seja o escolhido, deve vir com um recorte social bem definido.
A seguir, algumas possibilidades de enfoques que pode ser cobrados, segundo educadores ouvidos:
| Tema | Autor |
|---|---|
| A discussão sobre a dívida ecológica e a responsabilidade das nações no combate à crise climática | Objetivo |
| A importância da transição energética para o desenvolvimento sustentável do Brasil | Objetivo |
| As consequências da exploração de minérios em terras indígenas | Colégio Politécnico da UFSM |
| Desafios para a promoção da justiça climática no Brasil | Farias Brito e Objetivo |
| Desafios para a promoção do consumo sustentável na sociedade brasileira | Objetivo |
| Desafios para a redução dos impactos ambientais sobre populações socialmente vulneráveis no Brasil | Colégio Politécnico da UFSM |
| Impactos e desafios das mudanças climáticas no Brasil | Poliedro e Sesi |
| O combate ao racismo ambiental e a proteção de comunidades vulneráveis no Brasil | Objetivo e Bernoulli |
| O desafio da sustentabilidade ambiental nas grandes cidades brasileiras | Anglo |
| O papel do Brasil na liderança da economia verde e os desafios da justiça climática | Alpha CEM |
| Os desafios do acolhimento de refugiados climáticos no cenário brasileiro | Objetivo |
| Os impactos do negacionismo climático para o futuro do meio ambiente no Brasil | Objetivo |
COMO ESTUDAR O TEMA
Professores recomendam que o estudante amplie o repertório além da redação e use o conteúdo das outras disciplinas para construir uma visão crítica sobre a crise climática. História, geografia, filosofia e sociologia ajudam a entender as causas e consequências do problema e a formular argumentos com mais densidade.
Conceitos-chave
Dominar a terminologia é essencial. Esses conceitos funcionam como o “recheio” da redação e podem ser usados de forma articulada ao tema proposto:
- Justiça Climática – Considerada uma das apostas mais fortes. O conceito defende que os impactos da crise climática não atingem todas as populações da mesma forma e que as políticas ambientais devem levar em conta a desigualdade social.
- Racismo Ambiental – Termo central para relacionar meio ambiente e vulnerabilidade socioeconômica. Refere-se à exposição desproporcional de comunidades negras, indígenas e pobres a desastres e degradação ambiental.
- Tripla Crise Planetária – Expressão adotada pela ONU que reúne três emergências interligadas: mudanças climáticas, poluição e perda da biodiversidade.
- Refugiados Climáticos – Pessoas forçadas a deixar suas regiões devido a desastres ambientais, como secas prolongadas, enchentes e queimadas.
- Desenvolvimento Sustentável – Princípio que busca equilibrar crescimento econômico, preservação ambiental e justiça social, previsto na Agenda 2030 da ONU.
Dicas de reportagens da Folha para estudar
O estudo do eixo ambiental deve ir além da leitura teórica. Exige uma abordagem interdisciplinar e aplicação prática dos conteúdos:
Referências culturais e intelectuais sugeridas
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Ailton Krenak – Pensador e ativista indígena, suas obras como Ideias para adiar o fim do mundo são referência para refletir sobre a relação entre humanidade e natureza.
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Constituição Federal de 1988 – Conhecida como “Constituição Cidadã”, garante o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado (artigo 225), conectando cidadania, ética e sustentabilidade.
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Acordo de Paris (2015) – Marco global no combate à crise climática. Estabeleceu metas de redução de emissões e compromisso coletivo pela transição energética e preservação ambiental.
O que evitar
Especialistas alertam que, mesmo quando dominam o tema, muitos candidatos escorregam na execução da proposta. Para Daniela Toffoli, professora de redação do Anglo, um dos erros mais comuns é apresentar propostas irreais ou sem embasamento científico, o que compromete a coerência do texto.
Ela também chama atenção para o uso de argumentos genéricos que desconsideram as especificidades locais. O Enem valoriza soluções contextualizadas e socialmente viáveis.
Também é importante não tratar o tema como se fosse inédito. Ignorar políticas públicas, acordos internacionais e reivindicações já existentes demonstra desconhecimento do debate público e fragiliza a argumentação.
Este é o primeiro de uma série de textos que abordam as principais apostas para o tema da redação do Enem 2025. Elas foram reunidas em oito eixos temáticos, serão detalhados com dicas de educadores sobre o motivo da escolha, como se preparar, possíveis abordagens e erros a evitar durante o estudo e a realização da redação.
Os textos fazem parte do projeto Folha Estudantes, criado para ajudar jovens na preparação para o Enem e outros vestibulares. A Folha oferece assinatura gratuita para estudantes que se inscreverem no Enem; clique aqui para saber mais.
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Fonte: Folha
